Depois dos espectáculos das entrevistas, dos comunicados e contra-comunicados das últimas semanas, falemos um pouco de futebol. Olhando friamente para as últimas duas épocas, chego à conclusão que estas duas temporadas foram, no fundo, duas oportunidades perdidas. Creio que tem passado despercebido um pormenor importante e que permanece oculto atrás de um sucesso feito muito à base da farsa. Trata-se da evidente fragilidade do fc porto. O fc porto teve nas últimas duas épocas dois plantéis em tudo inferiores aos que tinha nas eras Mourinho e Jesualdo. Nesta última temporada, com um treinador medíocre, o porto foi ganhando jogos à custa de Hulk e da manha habitual das arbitragens cirúrgicas. O Benfica, pelas razões já aqui dissecadas e com Jorge Jesus como principal fonte do problema (na minha opinião), que chegou a ter 5 pontos de avanço, não aproveitou quando podia, e deixou fugir um título que mais do que certo, seria natural. Tudo leva a crer que o fc porto, aparte os malabarismos contabilísticos que o Benfica também faz, tenha a corda na garganta do ponto de vista financeiro. Senão veja-se como é que numa altura crucial do campeonato, o clube decide fazer o negócio Bellushi, e relembrem-me quantas vezes Pinto da Costa abdicou desta forma de um jogador titular indiscutível a meio de uma temporada. Desportivamente, com um plantel de jogadores banais como Rolando, Fernando, Sapunaru, Varela ou Cristian Rodriguez, o Porto limitou-se a aproveitar a incompetência do Benfica. Creio até que houve alguma descontracção do plantel, algum relaxamento de quem de facto sabia que depois da derrota de Barcelos já não tinha muitas hipóteses, que os desobrigou da “necessidade extrema” de ganhar e lhes retirou a pressão de lutarem pelo título. Funcionou de forma benéfica, e face aos escorreganços do Benfica, tudo o que viesse era lucro. Nisto, foram campeões.
Já houve tempos em que se notou que as conquistas do Porto vinham mesmo da estrutura. Independentemente da “fruta”, que todos sabemos que existiu, notava-se de facto ali uma mão de ferro e uma margem muito pequena de erro nas escolhas. Isto é, notava-se nas acertadas e disciplinadas contratações de jogadores e treinadores. Nos últimos anos, os erros foram mais do que o que era habitual, mas que acabaram disfarçados pela incapacidade do Benfica de adquirir uma “cultura de vitória”. Neste momento, a realidade não difere muito: o Porto que passou a época toda com um plantel escasso em número e em soluções de qualidade, continuará a ter um plantel curto – vai ter de vender, tal como o Benfica… – e um treinador que não percebe nada de futebol. A questão que se coloca é: vai o Benfica continuar a perder contra si próprio, ou vai mesmo aproveitar esta conjuntura do adversário para consolidar a sua posição de maior clube português?

